O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O cretino esqueceu o boné, os óculos de sol e o esparadrapo

Nem todos sabem como é a sensação de acordar às 5h da manhã (num domingão), colocar o tênis e participar de uma corrida de rua. Alguns diriam “insanos”, e se assim forem, não haveria tantos hospícios para guardar esses atletas amadores que não enxergam a vida de outra forma se não for correndo.

Um desses loucos é o médico (voluntário em cadeias, como no Carandiru) e escritor Drauzio Varella. No livro Correr – o exercício, a cidade e o desafio da maratona, o corredor Drauzio faz um relato surpreendente de superação e de muitos quilômetros, capaz de fazer a garota desse caixotinho amarelo querer (num dia beeeeeeem distante) completar uma maratona.

42,195 km é a linha que separa a largada de um maratonista. E Drauzio já perdeu as contas de quantas vezes cruzou essa linha: Nova York, Chicago, Boston, Tóquio, Rio de Janeiro. Porém, foi em casa que Drauzio falhou:

“Há que percorrer o Leblon e Ipanema, para então atravessar Copacabana inteira. Botafogo e boa parte do aterro do Flamengo. É preciso ser de ferro para não sentar num daqueles quiosques do calçadão, no meio de gente bonita, pedir um chope bem gelado e mandar a maratona para o inferno ou para mais longe ainda.”

Mesmo acostumado com a rotina pré-corrida (comer algo leve, dormir cedo, usar roupas e tênis confortáveis) ou ainda, a rotina de treinamento e até mesmo os pequenos macetes dos corredores (banana, óculos de sol e uma boa música, no meu caso) e (boné, óculos escuros, esparadrapo para proteger os mamilos, cortar as unhas dos pés, no caso dele), foram exatamente esses itens que o “cretino” (como o autor se descreve) esqueceu na maratona mais linda que ele correu.

Durante o relato, você é capaz de sentir os mamilos de Drauzio sangrando, a cabeça desprotegida queimando e as unhas dos pés caindo. Exausto e se odiando, ele completou a prova e continua completando muitas outras. E você... pronto para se juntar aos loucos por corridas de rua mais felizes do mundo? Não se preocupe. As unhas crescem novamente. :)

Correr – o exercício, a cidade e o desafio da maratona, de Drauzio Varella
Companhia das letras – 216 páginas
Avaliação: 5 caixotinhos (de zero a cinco)

Nenhum comentário:

Postar um comentário