O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O que aprendi com a Jout Jout – Parte 2


Quando eu era criança, sonhava em ser costureira. E meus pais super adoraram a ideia. Eles até me deram uma máquina de costura portátil, com alça, que eu podia usar em qualquer lugar (desde que tivesse um tomada). Às vezes, íamos passear na casa de uma tia que também era costureira. Enquanto os adultos ficavam na sala tomando café e conversando, eu brincava na oficina dela, recolhendo os retalhos do chão.

Em casa, separava cada pedaço de pano, sentava em frente a minha máquina e costurava vestidos e mais vestidos para as minhas bonecas. O que eu não conseguia fazer na máquina, completava com linha e agulha e pintava com canetinhas coloridas. Pra mim, era tudo maravilhoso, mas a grande verdade era que eu não tinha nenhum talento para a arte de costurar. E, apesar das minhas frustradas tentativas, minhas bonecas nunca foram tão mal vestidas. O tempo passou, a máquina de costura acumulou poeira e nunca mais pensei nisso.

Em a crise do escritório, Jout Jout também achou que tinha encontrado uma função na vida. A blogueira, assim como eu, imaginou uma vida incompatível com as nossas realidades: trabalhar por um objetivo maior, praticar exercícios, ir de bicicleta pro trabalho, fazer jantares para os amigos e ter uma vida, digamos, dos sonhos.

A realidade bateu e bateu forte em nossas vidas. Aquele incômodo martelava fundo na consciência, tentando mostrar que algo estava fora do lugar. Até que um dia veio a constatação de um amigo (da Jout Jout, no caso) que me fez perceber com mais clareza o que eu estava passando: “você não está acomodada, está incomodada.”

E, desde então, toda vez que eu sigo por um caminho que não tem absolutamente nada a ver comigo, mas ainda me mantenho nesse ciclo vicioso, paro, penso e vejo que, na verdade, estou incomodada e jamais ACOMODADA.

Tá todo mundo mal, de Jout Jout
Companhia das letras - 200 páginas
Avaliação: 04 caixotinhos (de zero a cinco)

Nenhum comentário:

Postar um comentário