O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Escritor Popstar

Fernando Morais, autor da obra sobre Paulo Coelho (crédito: divulgação) 
Ele já vendeu mais de 100 milhões de exemplares de livros. Queridinho de estrelas do cinema como a atriz Julia Roberts, ganhou uma mansão em Dubai de um xeique. Condecorado como Chevalier, o homem – sempre de preto – carrega na lapela um minúsculo broche da Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta e cobiçada condecoração da França, criada por Napoleão Bonaparte. Seus livros são pirateados no Egito. Seu nome: Mister Colê-rô! Para nós, apenas Paulo Coelho.

O escritor Fernando Morais emprestou seu talento para dar vida à vida de Paulo Coelho no livro O Mago (2008). Com suas descrições impecáveis, eu, na posição de leitora, fui capaz de me sentir dentro da história, do dia a dia pacato na pequena cidade de Tarbes, no sul da França, ou mesmo nas turbulentas viagens a trabalho que, muitas vezes, leva Paulo a ficar semanas fora de casa viajando por todo o globo.

Apesar da fama internacional e de feitos conquistados por poucos, por aqui, Paulo é visto como um escritor menor, de uma literatura menor. Confesso que, em toda a minha vida, li apenas O Alquimista e nem gostei tanto. Mas, depois de ler essa biografia, fica impossível não prestar atenção “ao menino que nasceu morto, flertou com o suicídio, sofreu em manicômios e ajudou a revolucionar o rock brasileiro ao lado de Raul Seixas”.

Aliás, em novembro de 2016, após uma entrevista ao Programa do Jô, Paulo afirmou que tinha sido internado em um manicômio. Na sequência, os sites de notícias “bombaram” com essa informação que, me desculpem os desavisados, mas Fernando Morais já tinha descrito esse acontecimento – em detalhes – há quase uma década.

Ao longo do ano vou postar um top 10 de alguns dos fatos mais relevantes sobre esse livro, sobre esse fenômeno e também sobre o grande talento de Fernando Morais.

Top 10
10. “Em 2006, a montadora Audi, na Alemanha, encomendou um texto de 6 mil caracteres para acompanhar o relatório anual da empresa. Perguntaram quanto Paulo gostaria de ganhar e ele disse: Um carro! Ele escreveu e mandou. Dias depois, um caminhão desembarcava na casa dos Coelho um modelo que custava 100 mil euros. Uma jornalista brasileira (sempre a gente, né) fez as contas e escreveu que o escritor tinha ganhado dezesseis euros por letra escrita”.

“O Mago”, de Fernando Morais
Editora Planeta – 630 páginas

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