O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

quinta-feira, 9 de março de 2017

A melhor coisa que você vai ler hoje


A escritora Chimamanda Ngozi
(Crédito: Ivara Esege)

Numa aula de hidroginástica, a professor – grávida de uns 4 meses – aguardava os seus 30 alunos (29 mulheres e 1 homem) entrarem na piscina. Uma senhora se aproxima, faz carinho na barriga da professora e diz: “já casou?”.

Em Sejamos todos feministas, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie faz um relato bastante interessante sobre o que ser uma feminista. Pelos menos, assim foi chamada pelo melhor amigo aos catorze anos. E tem sido dessa maneira desde sempre. Com o objetivo de quebrar a “torta de climão” que essa palavra carregava, ele passou a brincar com o próprio rótulo.

Primeiro, dizendo que era uma “feminista feliz”, afinal, para muitos, as feministas eram extremamente infelizes e amarguradas. Depois, que era uma “feminista feliz e africana”, afinal, essa atitude não condizia com o continente em que nasceu. E por fim, dizia que era uma “feminista feliz e africana que não odeia os homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma”, afinal, uma feminista de salto alto servia apenas para atrair os olhares de outras mulheres e dos homens também.

(Crédito: divulgação)
As próximas 50 páginas de Sejamos todos feministas são uma tentativa de mostrar que existe uma questão de gênero, e que ela deve ser pensada e discutida até esgotarem, ou pelos menos diminuírem, todas as dúvidas e, principalmente, os (pré)conceitos.

Eu não nasci nem vivi na África, então, não sei dizer o que significa não poder entrar em certos restaurantes desacompanhada de um homem porque posso ser confundida com uma prostituta. Também não sei o que é oferecer uma gorjeta e a pessoa agradecer ao homem (afinal, uma mulher só poderia ter dinheiro porque é casada e não porque trabalha e tem seus próprios rendimentos). Mas eu posso imaginar. 

Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie
Editora Companhia das Letras – 50 páginas

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