O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

segunda-feira, 27 de março de 2017

O dia que falhei ao ler Minha Guerra Alheia

Mais ou menos no meio do ano passado fui a um bate-papo com a escritora Marina Colasanti. Na ocasião, ela esteve em SP para o lançando do livro Mais de 100 histórias maravilhosas (Global-2016)(http://www.caixoteamarelo.com.br/2016/09/do-oficio-ao-sacrificio.htmle aproveitou para compartilhar algumas boas histórias pessoais, dentre elas, uma do Minha guerra alheia (Record-2010).

Marina relatou que, durante a guerra (a família vivia na Itália), pela escassez de tudo, o pai trouxe um paraquedas abandonado para que a mãe fizesse pijamas para ela e para o irmão mais velho. E que, quando o livro foi traduzido para o alemão, uma amiga de lá ligou e contou que ela também teve o mesmo tipo de “tecido” como matéria- -prima para o vestuário durante a segunda guerra mundial.

Pronto!!! Foi o estopim que me fez sair daquela palestra e comprar o livro imediatamente. O que eu não sabia, e só vim descobrir muitas páginas depois, é que eu não estava pronta para ler aquela versão de Marina. Acostumada com os livros infantis dela, me vi num campo desconhecido e, de certa forma, doloroso quando percebi que se tratava das memórias de uma criança com pouco mais de 4 anos sobre a versão do que ela via, sentia e vivia de uma guerra.

E da mesma forma que comecei (num ímpeto de me achar íntima daquilo tudo) abandonei a Marina e abandonei o Minha (dela) guerra alheia. Porém, hoje me bateu uma coragem enorme de retomar aquela leitura. E melhor, vou mesclar com uma outra garotinha, Anne Frank e seu diário (Record-2016), para compor a visão de dois lados distintos, porém, de duas crianças, sobre como uma batalha sem sentido pode mudar para sempre a vida de uma pessoa.

A garota do @caixoteamarelo ao lado
de Marina Colasanti e do jornalista 
Andrei Spinassé, do @esportividade

E vou contar tudo aqui no Caixote.

Minha guerra alheia”, de Marina Colasanti
Editora Record – 286 páginas



“O diário de Anne Frank”, de Anne Frank
Editora Record – 414 páginas


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