O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Ela não é leve coisa nenhuma

(Crédito: Maddinka)
Ontem o Caixote Amarelo participou de um clube de leitura. O desafio, no entanto, era ir ao encontro sem ter lido o livro. Nem mesmo uma rápida busca na internet por um resumo. A única coisa que eu sabia era o título: A insustentável leveza do ser.
 
Após uma breve apresentação do mediador, os participantes começaram a expor suas ideias a respeito da obra. Mas, principalmente, começaram a expor suas dúvidas. Entre um não entendimento e mais uma dúvida sobre os motivos que levaram os protagonistas a agirem, entre leituras de trechos capazes de dispersar o grupo em pequenos grupos para dividir suas opiniões, entre pessoas que apenas balançavam a cabeça – não sei se incapazes de verbalizar aquele sentimento tão profundo ou apenas não querendo interromper a sucessão de falas encantadas com aquele texto, lá estava eu sem ter lido sequer uma linha do livro.
 
Nas considerações finais, o mediador buscou nos leitores algumas – talvez – possíveis interpretações sobre o título. Uma pessoa discursou sobre a necessidade de encontrar “as coisas leves” para conseguir enfrentar “as coisas pesadas”. Na visão daquele coletivo, o próprio clube de leitura era o leve, pois do imediato segundo que saíssem daquela livraria, passariam a enfrentar o duro, o pesado, o real que tomou forma quando um morador de rua tentava se proteger do frio e da garoa debaixo do toldo daquela mesma livraria.


“A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera
Companhia de bolso – 312 páginas


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