O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Candidatas ao miss Brasil já podem eleger O menino do dedo verde como livro predileto

Tistu com o jardineiro Bigode
Voulás e Vaitimboras eram rivais em uma guerra que não aconteceu. Eles não duelaram porque plantas trepa- deiras se enraizaram nos arma- mentos; briônias e campanilhas formaram um emaranhado em metra- lhadoras e revólveres; espinhos, carrapichos e urtigas brotavam nos caminhões. E os canhões? Deles só saíram uma chuva de amores-perfeitos e papoulas.

É assim que Maurice Druon descreve as aventuras de Tistu, um garoto que tinha o polegar verde. Não que ele realmente fosse verde, mas sim porque tinha a capacidade de fazer florescer tudo que tocava. E Tistu vai tocado em tudo – na prisão, na favela, no hospital, na guerra.

Até mesmo um comitê foi formado para descobrir o que aconteceu com a cidade e, o menino do dedo verde, de uma forma bastante ingênua, porém mostrando o tamanho da hipocrisia no mundo, nos mostra que os adultos se preocupam apenas com problemas de adultos e ninguém cogitou imaginar que uma criança estivesse por trás daqueles acontecimentos.

As atitudes de Tistu vão, aos poucos, remodelando a paisagem – turistas faziam fila para visitar os barracos cobertos por gerânios; rosas, trepadeiras e cactos avançaram pelas grades e paredes da prisão fazendo que os presos não quisessem mais fugir. Nem mesmo a guerra fazia mais sentido naquele momento.


São tantas as características posi- tivas deste livro que não restam dúvidas de que as candidatas ao miss Brasil podem eleger, a partir de agora, O menino do dedo verde como livro de cabeceira em substituição ao Pequeno príncipe. Afinal, não são elas que, quando questionadas as mazelas do mundo tendem a responder pedindo paz, união e sabedoria nas decisões coletivas? O blog Caixote Amarelo não sabe de onde surgiu que as misses escolhem o livro de Saint-Exupéry como predileto, mas descobrimos que ambos foram traduzidos para o português pela mesma pessoa: D. Marcos Barbosa.

O menino do dedo verde”, de Maurice Druon
Editora José Olympio – 128 páginas

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