O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Como Pedro Pimenta me ajudou a encarar um trauma familiar

Pedro e eu em uma das visitas ao quarto dela 
É engraçado como as coisas aconteceram rápido demais. Lembro da minha avó sentindo fortes dores na perna – ela sentada na cama e eu em pé em seu quarto. Com uma certa dificuldade, a coloquei sentada próxima à janela. Lá, ela fumou o seu último cigarro.

O que veio depois foi uma série de idas aos hospitais, as horas intermináveis para a internação e o diagnóstico. As médicos falavam, mas eu era incapaz de compreender. E a minha resposta foi apenas o silêncio. Meu tio mais velho, talvez pela ausência de um avô que já tinha partido há décadas, foi quem tomou a frente, foi quem assinou a autorização. Ela entrou naquele cirúrgico e saiu dele sem uma perna.

Se a descoberta foi rápida, a espera se tornou lenta, lentíssima. Enquanto aguardava notícias me sentei em frente à TV. Não que estivesse vendo qualquer coisa. Apenas para passar o tempo. E lá, num desses programas de meio da tarde eu conheci Pedro Pimenta.

Um garoto com pouco mais de 18 anos que precisou amputar braços e pernas, por conta de uma bactéria, acabava de lançar o livro Superar é viver, em que ele contava não apenas o que tinha acontecido, mas como o garoto Pedro renasceu. Com próteses adaptadas, ele vivia sozinho, dirigia e trabalhava dando palestras no mundo inteiro.

Pedro Pimenta foi meu companheiro para entender o que minha avó estava passando. Foi ele também que me deu forças para encarar, junto com ela, algo que mudaria as nossas vidas para sempre. E, a cada ida ao hospital – e foram muitas – contava para ela sobre esse garoto e sua história. E ela ouvia. E foi assim que nós três passamos por esse período – ela, mulher forte, lúcida e consciente do que estava acontecendo, e eu, aprendendo com essa nova vó que o destino tinha colocado na minha vida.

“Superar é viver”, de Pedro Pimenta
Leya – 288 páginas

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