O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Nunca subestime uma mulherzinha

Quando Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, lançou um livro não se falava sobre empoderamento feminino ou muito menos se discutia como hoje em dia a questão de gênero nas rodas de conversa. Mas, assim como o talento dela para a música, Fernanda utilizou mais uma das suas facetas e trilhou um caminho sem volta para um dos temas mais delicados e complexos da humanidade: a igualdade entre homens e mulheres.

O livro Nunca subestime uma mulherzinha mostra uma Fernanda que vai além dos palcos. Da infância, quando foi confundida com um menino apenas pelo corte de cabelo que fugia dos padrões tradicionais ao universo ficcional, quando apenas mulheres bem pequenas (“desse tamanho assim, ó”), podiam trabalhar dentro das máquinas de tíquetes dos estacionamentos, a autora faz jus ao título, dando voz a essas tais mulherzinhas.

Quem também fez isso foi uma escola na Índia chamada Shanti Bhavan, que passou a abrigar e educar crianças consideradas intocáveis, da casta mais baixa da sociedade. A série documental Daughters os destiny, da Netflix, mostra como essas garotas estão condicionadas a acreditarem que são indignas de um futuro melhor apenas porque são pobres e mulheres.

A partir da ideia de que o ciclo de pobreza pode ser quebrado com a educação, essas garotas passam anos dentro da escola aprendendo como podem se tornar líderes, ou seja aprendendo a se empoderarem. Ao saírem da faculdade, elas têm mais chances de melhorarem a condição de vida da sua família e comunidade. Um dos relatos que o documentário mostra é de uma garota que decidiu estudar Direito após ter ouvido um depoimento de um advogado humanitário sobre um cliente que teve a língua arrancada após pedir um aumento para o patrão. A jovem, durante a graduação, passou a defender a própria comunidade, quando uma pedreira decidiu tomar a terra que pertencia a sua família, vizinhos e amigos.

A série documental e o livro, cada um a sua maneira, mostram que nunca, jamais devemos subestimar o poder e a força de vontade de uma mulherzinha. Ao fazer isso, estaríamos perdendo demais.

"Nunca subestime uma mulherzinha", de Fernanda Takai
Panda Books - 136 páginas

Nenhum comentário:

Postar um comentário