O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Relatos de um relacionamento abusivo – uma hipótese coletiva


Nesta segunda o blog Caixote Amarelo participou pela segunda vez do clube de leitura da livraria Martins Fontes. Para o encontro, o livro selecionado foi Flores Azuis, de Carola Saavedra. Assim que a discussão foi aberta, os participantes começaram a propor suas linhas de raciocínio. Algumas ideias acabaram se cruzando e, para compor esse texto, optei por uma delas.

Para boa parte do grupo, o livro tinha como foco um relacionamento abusivo. As cartas de uma completa estranha, enviadas sem remetente para um endereço equivocado {ou não – algumas pessoas trabalharam com a ideia de que ela sabia exatamente quem lia as cartas}, contavam uma série de abusos – de psicológico ao físico.

Enquanto ouvia as argumentações não parava de pensar o que a autora pensaria daquela hipótese. Será que a Carola escreveu de forma intencional? Será que a descoberta do grupo era o que os autores chamam de ler nas entrelinhas? Será que ela escreveu e não pensou em nada daquilo?

Já ouvi grandes escritores relatarem que um livro é entendido por cada pessoa de uma maneira diferente. Por isso, ele se torna, praticamente, exclusivo. E que tudo depende da maneira como o leitor o encara. Num clube de leitura, essa individualidade deixa de existir uma vez que as contribuições vão formando uma grande teia de ideias e de sentimentos.

"Flores azuis", de Carola Saavedra
Companhia das letras – 166 páginas

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