O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Quando ganhei um livro de um poema só

Uma vez um amigo me chamou para o lançamento de um livro. Nem faz muito tempo, mas eu não consigo lembrar onde era ou sobre o que conversamos na fila para os autógrafos, mas acho que o vinho era ótimo. Teve vinho?

Eu não conhecia a autora e acabei fazendo tudo meio no automático: pega livro, pega autógrafo, leva livro pra casa e coloca na estante. Numa dessas organizações de fim de ano, fim de namoro, fim de faculdade ou algum outro fim que nos obriga a sacudir a poeira, me reencontrei com Rua da padaria, de Bruna Beber.

Abri sem pensar e parei num poema: romance em doze linhas. “Quanto falta pra gente se ver hoje”. Aquele poema passou a me acompanhar como uma sombra invisível para quando as coisas pareciam realmente difíceis, impossíveis.

Um término de namoro, um rompimento de uma amizade, uma mudança de trabalho, uma promoção... lá estavam as doze linhas daquele poema me esperando. Dias atrás voltei novamente ao meu “minuto de sabedoria”, e curiosamente li a dedicatória: “ler na varanda com calma”.

Então, tá bom, Bruna, coloquei na minha varanda – o blog Caixote Amarelo. Assim, quem sabe ele servirá para mais alguém. E quem sabe, outro alguém leia os demais textos. Pra mim, Rua da padaria é um livro de um poema só.

“quanto falta pra gente se ver hoje
quanto falta pra gente se ver logo
quanto falta pra gente se ver todo dia
quanto falta pra gente se ver pra sempre
quanto falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto falta pra gente se ver às vezes
quanto falta pra gente se ver cada vez menos
quanto falta pra gente não querer se ver
quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.”

"Rua da padaria", de Bruna Beber
Editora Record - 68 páginas

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