O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Das pequenas grandes maravilhas que Eliane Brum escreveu

(Crédito: Vivos Olhares/Anna Ligia Machado)
“O mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. Di- minutos, invisíveis. O mundo é salvo pelo avesso da impor-tância. Pelo antôni- mo da evidência. O mundo é salvo por um olhar. Que envol- ve e afaga. Abarca. Resgata. Reconhece. Salva. Inclui”.

É assim que começa A vida que ninguém vê, de Eliane Brum. Eu poderia dizer que é o livro que dá voz aos esquecidos. Ou que a escritora vê o que ninguém mais enxerga, ou não quer enxergar. Poderia ainda dizer que o texto dela muda uma vida. Mas tudo isso seria pouco para descrever o poder que essa talentosa escritora tem em combinar palavras e sentimentos.

“Esse texto poderia acabar aqui, porque tudo já estaria dito”, como ela mesma aponta em outro trecho do livro. Porém, se um mundo é salvo pelos pequenos gestos – invisíveis e que afagam – posso me considerar parte de um grupo que já teve um dia salvo por causa de Eliane. Em 2013, tive a felicidade de editar um conto dela na antologia Entre as quatro linhas – contos sobre futebol. De longe, o texto mais marcante e meu preferido, confidenciado a ela no dia do lançamento.
(A garota do Caixote Amarelo
e a escritora Eliane Brum)

O que eu poderia contribuir em um texto perfeito, eu pensava? E de novo retomo as palavras de Eliane, e a resposta veio num olhar, seguido de um sorriso que envolveu, afagou, reconheceu, salvou e, principalmente, incluiu. Quantas Elianes estão por aí salvando o dia e quantas pessoas, assim como eu, tiveram o privilégio de serem salvas pela palavra escrita em um livro?

“A vida que ninguém vê”, de Eliane Brum
Arquipélago editorial – 204 páginas
“Entre as quatro linhas – Contos sobre futebol”, 
organização Luiz Ruffato
Editora DSOP – 188 páginas

Nenhum comentário:

Postar um comentário