O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Onde nasce a censura na literatura infantil?!?


O final de semana foi repleto de atividades preocupadas em discutir, aprender e conviver com os livros voltados para o público infantil. Dentre os eventos que ocorreram na capital (SP), podemos destacar um bate-papo na livraria Martins Fontes, em comemoração aos 25 anos da editora Companhia das Letrinhas.

O evento trazia uma temática espinhosa, que é a censura nos livros infantis. A primeira mesa, formada pelos escritores e ilustradores Odilon Moraes e Patricia Auerbach com a participação de Ana Carolina Carvalho, do Instituto Avisa lá, que tem como objetivo a qualificação prática pedagógica nas escolas públicas de ensino infantil, procurou debater os motivos que levam determinado assunto ser tachado como impróprio e proibido nas escolas.

A segunda mesa, formada pelo escritor Ricardo Azevedo, por Sandra Medrano - (Comunidade Educativa CEDAC), e Mara Dias - (Colégio Rainha da Paz) apontou para o que são temas tabus e porque alguns deles, na opinião da mesa, são considerados tabus, mas não entram para essa lista, como a pobreza, por exemplo.

Mesmo com pensamentos distintos, ambas as mesas voltavam na questão da qualidade literária que os professores precisam alcançar para conseguir conduzir uma boa mediação e sobre o pouco tempo que as escolas dedicam para a prática do ócio criativo, que seria ler pelo simples ato de ler também indicam os baixos índices de leitura na população.

Porém, a participação e até o veto de pais e responsáveis, principalmente em escolas particulares, foi uma das partes mais calorosas do debate. O caso mais recente ocorreu com o livro Enquanto o sono no vem, retirado das escolas por ser considerado inapropriado para as crianças. {Caixote Amarelo já escreveu sobre isso} http://www.caixoteamarelo.com.br/2017/06/o-triste-fim-da-triste-historia-de.html

Odilon Moraes apontou para a linha tênue que separa cuidado de censura dos pais. Muitas vezes, incapazes de discutir sobre determinados assuntos com os filhos, como drogas, gravidez, sexo, morte, doença, pobreza, entre outros, os adultos preferem fingir que eles não existem, e dessa maneira, que a escola também não aborde esses temas.

De acordo com as mesas, esse excesso de zelo acaba colocando a criança numa bolha em que os únicos finais possíveis são aqueles em que “todos viveram felizes para sempre”. O que muitos pais, professores e até mesmo as instituições de ensino se esquecem, é que essas crianças estão soltas, vivendo, assistindo, convivendo com situações que, nem sempre, têm um final feliz. E tá tudo bem também. Eles estão dando conta do recado.

Talvez, o que falta nos adultos, é acreditar um pouco mais na capacidade dessas crianças de olharem para algo complexo, absorverem aquela situação e conseguirem viver, se não numa boa, pelo menos percebendo que o mundo não é tão cor de rosa assim.

"25 anos da Editora Companhia das Letrinhas" - na Livraria Martins Fontes

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