O blog Caixote Amarelo nasceu com a proposta de dialogar apenas com os livros de relatos, as biografias. Para minha surpresa, bons ventos sopraram durante essa empreitada e outros tipos de livros ganharam espaço. Digo empreitada porque já seria difícil pra caramba abrir o bloco de notas e escrever o que sinto sobre as obras e como elas me afetam, de maneira positiva ou não. Tudo fica ainda mais complexo quando clico em "publicar". Te vejo dentro do caixote.

Por Renata de Sá.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Falta tudo, inclusive humildade no mercado editorial infantil

(No espaço de leitura do parque da Água Branca
- crédito: Lucia Lopes)
Para quem está inserido do mercado editorial infantil, como leitor, professor, mediador, produtor, sabe que os últimos tempos foram agitados. Considerada por muitos uma produção menor, capaz de fazer a estudiosa Maria Teresa Andruetto pedir para retirar o adjetivo “infantil” das conversas, das publicações, nunca se falou tanto dessa literatura.

Apesar do tema estar em foco, parece que estamos longe de um democrático debate.

Quem acompanha pelas mídias sociais a respeito do livro Peppa, por exemplo, entende bem o momento em questão. Até mesmo fora da internet o assunto tem tocado um número de pessoas dispostas a entender o que está acontecendo.

No último sábado, a Casa Tombada em parceria com o espaço de leitura do parque da Água Branca, reuniu um poderoso time de escritores, ilustradores e editores para falar sobre a literatura infantil no Brasil. Entre os convidados, Eva Furnari, Aline Abreu, Zeco Montes, Márcia Leite e Maria José Nóbrega com mediação de Cristiane Rogério.

Apesar de todos concordarem que o livro infantil é uma possibilidade de respiro em meio ao cotidiano e à realidade, ele está muito longe de seus outros companheiros de prateleiras. Falta tudo para a literatura infantil: divulgação, espaço para apostas em novas talentos, para a atuação de artistas consagrados, apoio público (com a exclusão de compras governamentais, como o PNBE), profundidade no assunto dentro das universidades, mas que principalmente, tem faltado humildade.

A escritora e ilustradora Eva Furnari aponta para a dificuldade nas pessoas em ouvir críticas. A editora Márcia Leite já segue pelo caminho de que falta diálogo entre editores/ilustradores/autores nas grandes editoras. Até mesmo, um fato apontado coletivamente, que foi o de não dizer nada. As mídias sociais parecem que nos obrigam a dizer, ter uma opinião sobre tudo. Às vezes, não dizer, é também uma postura humilde.

Tem alguma coisa muito errada no mercado editorial infantil. Só que essa coisa, que eu nem consigo encontrar um nome, não está, necessariamente, dentro dos livros, mas sim em algumas pessoas que estão produzindo, lendo, opinando e decidindo o que pode e o que não pode sobre esse títulos, sem conseguir ao menos olhar ao redor e perceber o outro. Precisamos falar muito mais sobre literatura infantil. Só que de uma maneira mais humilde.

"Por uma leitura apaixonada - evento em parceria com a Casa Tombada e o espaço de leitura do parque da Água Branca"

Nenhum comentário:

Postar um comentário